O presidente Michel Temer anunciou nesta quinta-feira (22) que o governo
vai liberar o saque de contas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS) inativas até dezembro de 2015.
Temer fez o anúncio em pronunciamento antes de participar de um café da manhã com jornalistas, no Palácio do Planalto.
A medida faz parte de uma tentativa do governo de reaquecer a economia.
O presidente explicou que não haverá limite para o saque. O
trabalhador, se quiser, poderá sacar, para qualquer fim, todo o valor
que tem na conta inativa – aquela que deixa de receber depósitos do FGTS
devido à rescisão do contrato de trabalho.
De acordo com o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, o cronograma
para o saque de contas inativas será divulgado até o início de fevereiro
e levará em conta a data de nascimento dos beneficiários.
"Nós estamos flexibilizando essas exigências [para o saque do FGTS]
porque o momento que vivemos na economia demanda a adoção de medidas que
permitam, ainda que de forma parcial, uma recomposição da renda do
trabalhador. Portanto, estamos permitindo que os trabalhadores
detentores dessas contas até 31 de dezembro de 2015 possam dispor de
recursos que, em condições normais, não estariam ao seu alcance",
afirmou Temer.
O presidente disse que, pelos cálculos do governo, os saques podem
chegar a R$ 30 bilhões, o que equivale, nas contas de equipe econômica, a
0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo ele, cerca de 10, 2 milhões de trabalhadores podem sacar o
dinheiro. A maior parte das contas inativas, de acordo com o governo,
tem saldo de menos de um salário mínimo.
O presidente argumentou que os saques das contas inativas do FGTS não
vão prejudicar projetos que dependem da verba do fundo, como o
financiamento de moradias do Minha Casa Minha Vida.
"É uma injeção de recursos que vai mobilizar, movimentar a economia e
equivale, também pelos cálculos do Planejamento, a cerca de 0,5% do PIB e
sem pôr em risco a própria solidez do FGTS, porque vocês sabem que os
valores do FGTS se destinam à habitação popular, saneamento, mobilidade.
Então, não põem em risco o fundo de garantia, as verbas para aplicação
nesses setores que estou mencionando", afirmou Temer.
Reforma trabalhista
O presidente também falou sobre propostas do governo de mudanças na
legislação trabalhista, que seriam anunciadas após o café da manhã com
os jornalistas.
"Convido a todos para, logo mais, estejamos no Palácio do Planalto para
anunciar a modernização da legislação do trabalho, com uma
característica muito importante que deve ser ressaltada, a de que
presentes deverão estar não só representantes das centrais sindicais
como representantes dos empregadores, representantes de federações. Isso
tudo foi muito bem negociado pelo Ministério do Trabalho no sentido de
fazer uma composição que não desagradasse fundamentalmente nem
trabalhadores, nem empregadores", disse o presidente.
Juros do cartão
Temer não deu detalhes, mas afirmou que o governo trabalha com redução
dos juros do cartão de crédito a partir do primeiro semestre do ano que
vem. Ele disse ainda, sem explicar como será a ação da equipe econômica
nesse sentido, que a queda nos juros do cartão deve ser de mais da
metade nos primeiros meses de 2017.
"Anunciamos que haveria uma redução dos juros do cartão de crédito. E,
de fato, os últimos estudos revelam que no primeiro trimestre deste ano
haverá uma redução de mais da metade dos juros cobrados do cartão de
crédito", afirmou o presidente.
Ele informou ainda que a redução nos juros do cartão ocorrerá em duas
hipóteses: "a hipótese do juro do cartão, que é aquela coisa dos 30
dias, que é o chamado rotativo, onde haverá esta redução de mais da
metade do que hoje se cobra. Em segundo lugar, 30 dias após, é isso que
está sendo imaginado, haverá um parcelamento daqueles que não pagaram, e
esse parcelamento ainda receberá juros inferiores, menos da metade,
digamos, do chamado rotativo".
Balanço do governo
Antes de começar a responder às perguntas de jornalistas, Temer fez um
balanço dos sete meses em que está à frente da Presidência.
Durante a fala, destacou o fato de ter aprovado no Congresso, com o que
ele chamou de "apoio extraordinário", medidas propostas pela equipe
econômica para conter a crise.
Ele afirmou que um dos primeiros atos de seu governo foi detectar e
revisar a meta fiscal para 2016. Em maio, ainda durante o período em que
Temer era interino, o Congresso aprovou projeto de lei que reduziu a
meta e autorizou o governo a fechar um ano com um déficit de até R$
170,5 bilhões - a previsão do governo Dilma Rousseff era de déficit de
R$ 96 bilhões.
Logo depois, o presidente falou sobre a Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) que estabeleceu um teto para os gastos públicos pelos
próximos 20 anos. O texto foi criticado por partidos de oposição e alvo
de polêmica nos últimos meses. Os críticos da proposta afirmam que a
PEC vai congelar investimentos em áreas consideradas essenciais, como
saúde e educação. O governo afirma que não faltarão recursos para esses
setores.
"Para nós todos [...] seria muito confortável passar esses dois anos e
pouco na Presidência sem mexer nesses temas polêmicos, como
aparentemente era com o teto de gastos públicos. Mas houve uma
compreensão tão ressaltada da necessidade de conter os gastos públicos e
essa emenda constitucional foi aprovada com um quórum muito expressivo
na Câmara dos Deputados e no Senado Federal", disse Temer aos
jornalistas.
O presidente lembrou ainda da proposta de reforma da Previdência,
enviada no último mês ao Congresso, que, segundo ele, foi discutida
"durante meses" por diversos setores da sociedade. Temer disse que o
Congresso Nacional é o "grande palco" para discutir mudanças
importantes, como a da Previdência.
"A reforma da Previdência é um dos grandes temas nacionais. [...] Dez
dias depois [de ter sido enviada]. a PEC ganhou admissibilidade na
Comissão de Constituição e Justiça. Vocês sabem que um tema como esse,
reconheço de polêmica, ter ganhado admissibilidade em menos de dez dias
na CCJ, foi mais um dado extremamente positivo", ressaltou.
O presidente disse que haverá "grandes debates" sobre a reforma no
Congresso e reconheceu não saber dizer se o texto enviado pelo governo
será modificado pelos parlamentares.
Temer disse ainda que recebeu uma sugestão de rotular a reforma da
Previdência proposta por seu governo de "Em nome do filho". "Porque, na
verdade, não vai produzir efeito nos próximos dois anos, no nosso
governo. Vai produzir efeito no futuro. [...] Ela garante o futuro da
Previdência Social", afirmou.
Fonte: Portal G1






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