O uso de cigarros eletrônicos está se disseminando entre jovens e deve ser considerado "uma questão preocupante à saúde", alertou a US Surgeon General, entidade pertencente ao Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos (USPHS), segundo relatório divulgado nessa quinta-feira (8).
Os dispositivos movidos à bateria aquecem um líquido contendo nicotina e
o transformam em um vapor a ser inalado, e alguns especialistas afirmam
que com isso uma nova geração de fumantes está se tornando viciada.
Um em cada seis adolescentes americanos do Ensino Médio afirmam ter utilizado o cigarro eletrônico no último mês.
"O uso desses dispositivos têm aumentado nos últimos anos, com um
crescimento de 900% dentre estudantes do Ensino Médio de 2011 a 2015",
disse Vivek Murthy, funcionária do US Surgeon General referindo-se ao
relatório.
A especialista alertou para os perigos dos cigarros eletrônicos por
conter nicotina, substância que pode "causar dependência e prejudicar o
desenvolvimento cerebral dos jovens".
Para os jovens, o uso da nicotina em qualquer forma é perigoso, de
acordo com o relatório, que foi escrito e revisado por mais de 150
especialistas.
O documento também ressaltou que o valor exalado no ar por usuários de
cigarros eletrônicos pode expor as outras pessoas a produtos químicos
potencialmente nocivos.
"Esses produtos são agora a forma mais comum de uso do tabaco dentre
jovens nos EUA, ultrapassando produtos convencionais, incluindo
cigarros, charutos, tabaco mastigável, e narguilé", destacou o informe.
Mas Murthy admitiu a existência de "evidências científicas incompletas" em relação aos perigos do cigarro eletrônico.
"Por exemplo, os efeitos para a saúde e as doses potencialmente nocivas
dos ingredientes constitutivos do cigarro eletrônico líquido -
incluindo solventes, aromatizantes, e tóxicos - não são completamente
entendidos", disse.
Ele defende regulamentações federais mais duras, aumentando a idade
mínima para a compra, e campanhas na mídia para educar o público.
Especialistas britânicos interpretaram a iniciativa americana de
desestímulo ao uso de cigarros eletrônicos como uma ameaça, uma vez que
os dispositivos ajudariam os fumantes em sua transição até conseguirem
parar de fumar.
"Nossa conclusão é de que o dispositivo gera um pequeno risco de vício,
conclusão reiterada pelo Royal College of Physicians este ano", afirma
Kevin Fenton, diretor nacional de saúde e bem-estar no sistema de saúde
público da Inglaterra.
Len Horovitz, especialista pulmonar no Lenox Hill Hospital em Nova
York, compartilha da opinião da US Surgeon General, ao afirmar que "a
porta de entrada para o cigarro tradicional ainda será o cigarro
eletrônico, e não há um nível seguro para o fumante tradicional",
afirma.
Fonte: Portal G1






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