Fiador político da eleição de João Doria (PSDB) à Prefeitura da
capital, o governador Geraldo Alckmin estuda encampar promessa de
campanha feita pelo prefeito eleito e também congelar as tarifas de
metrô e trem a R$ 3,80 na Grande São Paulo em 2017. As análises sobre a
viabilidade econômica e a forma de implementação da medida estão em fase
de conclusão por técnicos da Secretaria Estadual de Transportes
Metropolitanos e é possível que a manutenção conjunta do preço das
passagens seja anunciada até amanhã.
Entre as possibilidades
estudadas em conjunto pelo governo Alckmin e pela equipe de Doria para
manter o preço da tarifa comum sem provocar grandes impactos nas
receitas da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), da
Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e da São Paulo
Transportes (SPTrans) estão reajustes nos bilhetes diário, semanal ou
mensal de ônibus, vale-transporte, passe escolar e revisão das
gratuidades a idosos com mais de 60 anos, pessoas com deficiência e
estudantes de baixa renda.
“Os técnicos ainda estão estudando os últimos detalhes e devemos ter isso
(definição)
nos próximos dias”, disse o secretário estadual de Transportes
Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni. “Há diversas possibilidades que
estão sendo analisadas, mas precisamos aprovar com os nossos chefes
ainda, o governador e o prefeito”, completou o titular da pasta, sem dar
mais detalhes sobre o estudo. Historicamente, o reajuste das tarifas de
ônibus, trem e metrô é feito de forma conjunta pela Prefeitura e pelo
governo do Estado no início de cada ano. O último aumento (8,57%)
ocorreu em 9 de janeiro deste ano, quando o valor das passagens subiu de
R$ 3,50 para R$ 3,80.
Segundo estimativas feitas por técnicos da
Comissão de Transportes da Câmara Municipal, o congelamento da tarifa
de ônibus deve custar cerca de R$ 750 milhões a mais em subsídios pagos
pela Prefeitura para a operação do sistema de transporte público
municipal. Somente neste ano, a previsão é de que os subsídios superem
os R$ 2,5 bilhões. Doria tem dito que vai usar a economia gerada nos
cortes de 15% dos contratos com fornecedores da Prefeitura, de 30% dos
cargos comissionados e de 35% nas verbas de custeio das secretarias
(exceto Saúde, Educação e Segurança) para conseguir cumprir a promessa
de campanha.
O anúncio de congelamento da tarifa feito por Doria
durante a disputa eleitoral foi mal recebido pelo corpo técnico do
Metrô, que tem sofrido com queda dos repasses feitos pelo governo
Alckmin e redução do número de passageiros por causa da crise econômica.
Somente neste ano, a companhia registrou um calote de R$ 332,7 milhões
do Estado, que deixou de repassar valores referentes à compensação
tarifária à estatal para quitar obrigações contratuais com a
concessionária privada que opera a Linha 4-Amarela, e já fez acordo para
parcelar cerca de R$ 150 milhões em dívidas com fornecedores por causa
da redução de suas receitas.
Atualmente, apenas 35% dos usuários
do metrô, por exemplo, pagam a tarifa cheia, de R$ 3,80, enquanto 65%
pagam valores diferentes à companhia por causa de benefícios como
meia-entrada a estudantes e descontos nas integrações entre as linhas,
quando o passageiro usa mais de uma linha da rede mas paga apenas uma
tarifa ou quando faz integração com o ônibus, quando a segunda tarifa
fica R$ 1,68 mais barata.
Aumentos. Caso seja
confirmado, o congelamento das tarifas de trem e metrô não deve servir
de estímulo para as demais cidades da Grande São Paulo. O município de
Guarulhos, o segundo maior da região metropolitana, reajustou a tarifa
em 18,42% a partir de hoje. Com isso, o preço da passagem sobe de R$
3,80 para R$ 4,50.
Em Osasco, o prefeito Jorge Lapas (PDT)
publicou nesta semana decreto elevando o valor da tarifa do transporte
municipal para R$ 4,20 a partir de amanhã. As prefeituras de São
Bernardo e Santo André, ambas administradas pelo PT, informaram que
ainda estão estudando se reajustam as passagens. É possível que a
definição fique para os sucessores que tomam posse no domingo. Nos dois
casos, os eleitos são do PSDB, mesmo partido de Doria e Alckmin.
Fonte: MSN
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