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| O secretário de Governo de Campos dos Goytacazes e ex-governador
do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, aguarda após ser preso no
Flamengo, Zona Sul do Rio, por agentes da Polícia Federal (Foto: Wilton
Júnior/Estadão Conteúdo) |
A Procuradoria Regional Eleitoral no Rio de Janeiro (PRE/RJ) informou
que pediu à Polícia Federal que instaure um inquérito para apurar
denúncias de que o juiz que decretou a prisão do ex-governador Anthony
Garotinho recebeu ofertas de propina para evitar sua prisão.
O órgão solicitou a Delegacia de Defesa Institucional da PF-RJ que
investigue a denúncia, que partiu do próprio juiz da 100ª Zona Eleitoral
de Campos dos Goytacazes, Glaucenir Silva de Oliveira. O magistrado
afirmou que, através de terceiros, Garotinho e seu filho Wladimir
Matheus, teriam oferecido propina a pessoas próximas dele para que
influenciassem suas decisões no caso, como o pedido de prisão.
Além de pedir a prisão de Garotinho, acusado de envolvimento de compra
de votos através do programa Cheque Cidadão, Glaucenir Silva de Oliveira
também determinou a transferência de Garotinho do Hospital Souza Aguiar
para o Complexo de Gericinó, em Bangu. O juiz alegou suspeitas de que o
ex-governador tenha recebido tratamento privilegiado na unidade
pública.
O pedido da PRE foi feito em ofício encaminhado na noite desta
sexta-feira (18) à chefia da Delinst, pelo procurador regional eleitoral
Sidney Madruga. Expedido dentro de investigação de possíveis crimes
eleitorais do grupo político liderado por Garotinho, o mandado de prisão
do ex-governador foi cumprido no último dia 16 em decorrência de
investigações do Ministério Público Eleitoral e da PF.
"Os fatos serão apurados, em caráter urgente, pelo Ministerio Publico e
Policia Federal, pois a situação retratada pelo Magistrado é
extremamente grave", diz o procurador regional eleitoral Sidney Madruga,
que menciona que as duas ofertas relatadas pelo juiz foram de entrega
de propinas de R$ 1,5 milhão e R$ 5 milhões em troca de decisões
judiciais favoráveis aos investigados.
Em nota, o TRE-RJ diz que o caso é de extrema gravidade. Para o TRE-RJ,
os fatos devem ser apurados com rigor. A Justiça Eleitoral fluminense
já encaminhou expediente ao Ministério Público Federal e à
Superintendência da Polícia Federal para que sejam tomadas as
providências necessárias. O desembargador eleitoral Marco Couto, relator
dos habeas corpus em favor do ex-governador, e que indeferiu, em
caráter liminar, os pedidos de liberdade, também já está ciente do fato.
Na noite desta 6ª feira, a PRE também expediu ofícios em caráter de
urgência ao MP Estadual e para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RJ).
No ofício ao procurador-geral de Justiça Marfan Vieira, o procurador
eleitoral pede que a Promotoria em Campos tome as medidas necessárias
para reprimir possíveis ilícitos criminais e eleitorais cometidos por
pai e filho. No ofício ao presidente do TRE, a PRE dá ciência da
abertura
A defesa de Garotinho disse ao Jornal Hoje que vai representar contra o juiz pelo crime de denunciação caluniosa.
Preso na quarta-feira
Garotinho foi preso nesta quarta-feira (16) na Operação Chequinho, que
apura fraudes no programa Cheque Cidadão. Segundo investigadores, em
troca de votos, eleitores eram inscritos no programa que dá R$ 200 por
mês a famílias de baixa renda. O ex-governador nega as acusações.
No mandado de prisão, assinado pelo juiz Glaucenir Silva de Oliveira,
Garotinho é citado como o "protagonista" das práticas criminosas com
outros indiciados. Ele exerceria inclusive uma dominação sobre a Câmara
Municipal de Campos, onde é secretário de Governo municipal.
VEJA A ÍNTEGRA DA DECISÃO.
"Se vislumbra o protagonismo e comando exercidos pelo réu na cadeia da
associação criminosas com outros indiciados e/ou denunciados, sendo
extreme de dúvidas sua dominação inclusive sobre o parlamento municipal,
através de sua ascendência sobre os parlamentares", diz a decisão.
Depois de ser levado para a superintendência da Polícia Federal,
Garotinho passou pelo Hospital Souza Aguiar, para onde foi levado depois
e alegar problemas cardíacos. Uma decisão judicial, porém, ordenou que
ele fosse levado para Bangu.
Garotinho chegou a ser levado para a UPA do Complexo de Gericinó, em
Bangu, na Zona Oeste do Rio, mas outra decisão, da ministra Luciana
Lóssio, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta
sexta-feira (18) a transferência do ex-governador para um hospital. A
decisão é liminar (provisória) e será levada à apreciação do plenário do
TSE na próxima sessão da Corte.
A ministra também determinou que, após o prazo necessário para a
conclusão dos exames e procedimentos médicos indicados pela equipe, o
ex-governador fique preso em regime domiciliar. Ele está no hospital
Quinta D'Or, desde a madrugada desta sexta.
Fonte: Portal G1
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