As reflexões do documento são fruto do
diálogo sinodal e indicam perspectivas que devem ser amadurecidas nas
Igrejas locais e na Assembleia de 2015. “Não se trata de decisões
tomadas nem de perspectivas fáceis. Todavia, o caminho colegial dos
bispos e o envolvimento de todo o povo de Deus sob a ação do Espírito
Santo poderá guiar-nos para encontrar caminhos de verdade e de
misericórdia para todos”.
Os padres sinodais alertam sobre a
necessidade de caminhos pastorais novos, que partam da efetiva realidade
das fragilidades familiares. Destaca-se a necessidade de cuidar das
famílias feridas por situações diversas, seja por fatores pessoais ou
culturais e econômicos. Nesses casos, não se trata de buscar soluções
únicas, pautadas no “tudo ou nada”, mas o diálogo iniciado no Sínodo
deve continuar nas Igrejas locais.
Divórcio, nulidade, casais recasados
Segundo o documento, muitos padres sinodais
destacaram a necessidade de agilizar os procedimentos para o
reconhecimento dos casos de nulidade. Entre as propostas apresentadas,
foram indicadas a superação da necessidade da dupla sentença conforme, a
possibilidade de determinar um caminho administrativo sob
responsabilidade do bispo diocesano e um processo sumário a ser
realizado em casos de nulidade notória.
Quanto à possibilidade de conceder os
sacramentos da Penitência e da Eucaristia, alguns argumentaram a favor
da disciplina atual em força do seu fundamento teológico. Outros se
expressaram a favor de uma maior abertura em condições bem precisas.
Para alguns, o eventual acesso aos sacramentos ocorreria se fosse
precedido de um caminho penitencial, sob responsabilidade do bispo
diocesano, e com um empenho claro em favor dos filhos. “Seria uma
possibilidade não generalizada, fruto de um discernimento caso a caso”.
Homossexuais
O relatório também aborda o acolhimento às
pessoas homossexuais, destacando que elas têm dons e qualidades a
oferecerem à comunidade cristã. Mas é reafirmada a posição da Igreja:
não equiparar as uniões entre pessoas do mesmo sexo ao matrimônio entre
um homem e uma mulher.
Sobre a transmissão da vida, o documento cita
a mentalidade difundida de reduzir a geração da vida a uma variável da
projeção individual ou do casal. Os padres sinodais defenderam o
adequado ensino sobre os métodos naturais, convidando a redescobrir a
mensagem de Paulo VI na encíclica Humanae Vitae, sobre a regulação da natalidade.
Defende-se o anúncio do Evangelho da família
como uma urgência para a nova evangelização, dizendo que a Igreja deve
fazer isso com ternura de mãe e clareza de mestre. Destaca-se que a
evangelização é responsabilidade de todo o povo de Deus, cada um com seu
próprio ministério e carisma.
O relatório defende ainda a conversão de toda
a prática pastoral em relação às famílias. Para isso, os bispos
insistiram na renovação da formação dos presbíteros e outros agentes
pastorais, mediante um maior envolvimento das próprias famílias nesses
trabalhos.
Realidade das famílias
Além das perspectivas pastorais, o relatório
contém outras duas partes, que falam sobre a realidade das famílias e o
Evangelho da família. São abordadas questões sobre o matrimônio, filhos
que crescem somente com um dos pais (o pai ou a mãe), o crescente número
de divórcios, a violência contra a mulher, o contexto de guerra e
violência, em que se vê uma situação familiar deteriorada, e o fenômeno
das migrações.
“Neste contexto, a Igreja necessita dizer uma
palavra de esperança e de significado (…) É preciso acolher as pessoas
com a sua existência concreta, saber apoiá-las na busca, encorajar o
desejo de Deus e a vontade de sentir-se plenamente parte da Igreja,
mesmo quem experimentou o fracasso ou se encontra nas situações mais
variadas. Isto exige que a doutrina da fé, de fazer conhecer sempre mais
seus conteúdos fundamentais, seja proposta junto à misericórdia”.
Os trabalhos do Sínodo seguem com os círculos
menores – pequenos grupos de discussão mais aprofundada – a partir do
documento apresentado hoje. As reflexões seguem até domingo, 19. O
Sínodo da Família começou no dia 5 de outubro e tem como tema “Os
desafios pastorais da família no contexto da evangelização”.






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