Pesquisadores japoneses e alemães desenvolveram em animais um antivírus
que se mostrou eficaz no combate a um vírus semelhante ao sarampo.
Aliado à vacinação, isto poderia ajudar a erradicar uma doença que mata
dezenas de milhares de pessoas por ano.
Apesar dos grandes avanços para conter o sarampo no mundo, a
enfermidade é altamente contagiosa e mata cerca de 150 mil pessoas ao
ano desde 2007. Os dados são de um estudo publicado nesta quarta-feira
(16) na revista especializada "Science Translational Medicine".
Os pesquisadores observaram um reaparecimento do vírus causador da
infecção nos países europeus, o morbilivírus. Especialistas consideram
que a doença esteja contida na Europa. Este fenômeno responde a uma taxa
de vacinação insuficiente.
O novo antivírus, chamado ERDRP-0519l, bloqueia a multiplicação do
vírus da cinomose, que afeta animais como cães e furões, e que é muito
similar ao causador do sarampo nos humanos.
Segundo os cientistas, o antiviral administrado oralmente impediu a
morte dos animais e permitiu reduzir a carga viral fortemente. Além
disso, permitiu que os animais afetados desenvolvessem uma forte
imunidade ao vírus.
O estudo foi desenvolvido por Richard Plemper, do Instituto de Ciências
Biomédicas da Universidade da Geórgia (sudeste dos Estados Unidos) e
por pesquisadores dos institutos alemães Emory e Paul-Ehrlich.
A vacinação deve continuar
"O aparecimento de uma potente imunidade antiviral nos furões é
particularmente animadora e sugere que o tratamento pode, não só salvar o
indivíduo infectado, como também contribuir para sanar as carências
imunológicas da população", explicou Plemper.
O antivírus, barato e fácil de armazenar, pode dar um impulso aos
esforços para a erradicação do sarampo, ao conter a propagação das
epidemias locais, acrescentou Plemper. Além disso, pode ser usado para
tratar pessoas próximas a um infectado que ainda não apresentem os
sintomas.
No entanto, quando for desenvolvida uma versão para humanos, o
antivírus não substituirá a vacina. O medicamento não tem como objetivo
ser uma 'alternativa à vacina', mas sim 'uma arma complementar nos
esforços para eliminar o sarampo', insistiu o pesquisador em
teleconferência.
Plemper lembrou que é preciso haver uma taxa de vacinação de pelo menos
90% da população para impedir a transmissão endêmica do vírus. Na
Europa, a taxa varia entre 60% e 90%, dependendo do país, enquanto nos
Estados Unidos, supera os 90%.
Segundo os cientistas, uma em cada três pessoas que contraem o sarampo e
não se vacinam desenvolve pneumonia ou inflamação do cérebro. A próxima
etapa da pesquisa será testar a nova molécula em macacos. Nos próximos
anos, serão feitos testes clínicos em humanos - provavelmente
adolescentes e adultos jovens.
Fonte: Portal G1
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